16 de setembro de 2017

Lipa e Nikífor


Lipa brincava com o bebê. Ela o fazia saltar nos seus braços e dizia, com admiração:
- Você vai crescer, vai ficar grande, muito grande! Vai ser um mujique de verdade e aí nós dois vamos juntos trabalhar na roça!
- Pare com isso! - exclamou Varvara, ofendida. - Como é que você pode pensar em trabalhar na roça, sua boba? Ele será comerciante, na nossa casa.
Lipa se pôs a cantarolar baixinho, mas, depois de esperar um tempo, esqueceu e falou de novo:
- Você vai crescer, vai ficar muito grande, vai ser um mujique de verdade e nós dois vamos juntos trabalhar na roça!
- Chega, menina! Você já repetiu mil vezes isso!
Lipa, com Nikífor nos braços, parou diante da porta e perguntou:
- Mãezinha, por que será que eu o amo tanto? Por que será que tenho tanta pena dele? - prosseguiu Lipa, com voz trêmula, e seus olhos começaram a brilhar de lágrimas. - Quem é ele? Como ele é? Leve que nem uma pluma, que nem uma migalhazinha, mas eu o amo, e o amo como um homem de verdade. Ele não consegue fazer nada, não fala, mas pelos seus olhinhos eu compreendo tudo o que ele quer.

Anton Tchekhov

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