No Zen, que no período de sua introdução no Japão se tornou o budismo dos samurais, encontramos uma visão essencialmente não-teológica sobre o problema da vida iluminada. Todas as coisas são coisas búdicas. O estado de Buda é inerente. Olhe dentro e o Buda será encontrado. Aja nesse sentido e o Estado de Buda atuará. A liberdade ("automotivação", "espontaneidade") é, ela própria, a manifestação do Buda Solar, que egocentrismo, ansiedade, medo, imposição, raciocínio etc., apenas impedem, distorcem e bloqueiam. Na Índia, no sistema iogue de Patanjali, o propósito da ioga era descrito como "a interrupção intencional da atividade espontânea da substância mental". No Zen, pelo contrário, o objetivo é, antes, deixar o estofo da mente funcionar espontaneamente em toda sua mobilidade.
Sentado imóvel, sem fazer nada,
A primavera chega e a grama cresce por si mesma.
"Esse 'por si mesma'", observa Alan W. Watts, "é a maneira natural de agir da mente e do mundo, como quando os olhos veem por si mesmos e os ouvidos ouvem por si mesmos e a boca abre-se por si mesma, sem ter que ser forçada pelos dedos."
E no contexto da arte bélica: "A perfeição na arte do manejo de espadas é alcançada", escreveu Eugen Herrigel em A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, "quando o coração não está mais perturbado pela ideia de Eu e Você, do adversário com sua espada, da própria espada e como empunhá-la - por nenhum pensamento, nem mesmo sobre a vida e a morte. 'Tudo é vacuidade: seu próprio eu, a espada veloz e os braços que a brandem. Mesmo o pensamento de vacuidade não está mais presente.' Desse vazio absoluto, afirma Takuan, 'surge a mais surpreendente manifestação de ação.'"
Até certo ponto, qualquer grande atleta ou ator reconhecerá esta última afirmação como aquilo que chamamos "estar em forma". O Zen, pode-se dizer, é a arte de "estar em forma" para tudo, o tempo todo. Não há bloqueio: tudo flui perfeitamente. E o Estado de Buda está nisto na medida em que não há egocentrismo intrusivo em ação. O egocentrismo está em ação apenas no neófito, no amador, no jogador desastrado; no profissional perfeitamente treinado não existe. E assim, encontramos no Zen, por assim dizer, o Estado de Buda de competência nas artes. Na arte do samurai, era aplicado à arte bélica. Nos períodos posteriores e em outras esferas da vida no Japão, seus princípios eram aplicados a todas e quaisquer artes: nos mosteiros, à arte da meditação; na sala de chá, à arte de servir chá, e igualmente na pintura, caligrafia etc., ao ato "em forma".
Sentado imóvel, sem fazer nada,
A primavera chega e a grama cresce por si mesma.
"Esse 'por si mesma'", observa Alan W. Watts, "é a maneira natural de agir da mente e do mundo, como quando os olhos veem por si mesmos e os ouvidos ouvem por si mesmos e a boca abre-se por si mesma, sem ter que ser forçada pelos dedos."
E no contexto da arte bélica: "A perfeição na arte do manejo de espadas é alcançada", escreveu Eugen Herrigel em A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen, "quando o coração não está mais perturbado pela ideia de Eu e Você, do adversário com sua espada, da própria espada e como empunhá-la - por nenhum pensamento, nem mesmo sobre a vida e a morte. 'Tudo é vacuidade: seu próprio eu, a espada veloz e os braços que a brandem. Mesmo o pensamento de vacuidade não está mais presente.' Desse vazio absoluto, afirma Takuan, 'surge a mais surpreendente manifestação de ação.'"
Até certo ponto, qualquer grande atleta ou ator reconhecerá esta última afirmação como aquilo que chamamos "estar em forma". O Zen, pode-se dizer, é a arte de "estar em forma" para tudo, o tempo todo. Não há bloqueio: tudo flui perfeitamente. E o Estado de Buda está nisto na medida em que não há egocentrismo intrusivo em ação. O egocentrismo está em ação apenas no neófito, no amador, no jogador desastrado; no profissional perfeitamente treinado não existe. E assim, encontramos no Zen, por assim dizer, o Estado de Buda de competência nas artes. Na arte do samurai, era aplicado à arte bélica. Nos períodos posteriores e em outras esferas da vida no Japão, seus princípios eram aplicados a todas e quaisquer artes: nos mosteiros, à arte da meditação; na sala de chá, à arte de servir chá, e igualmente na pintura, caligrafia etc., ao ato "em forma".
Joseph Campbell

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