É como acordar no paraíso diariamente, isso de durante o fim da madrugada o galo despertar, empoleirar-se num bom morrinho qualquer e começar, altivo e majestático, a entoar seu canto, desejoso de dar mostras às galinhas suas esposas que quem manda ali é ele. Mas logo esse brado guerreiro é quase silenciado pelo som da orquestra que, prenunciando discretamente a execução de uma grande obra, começa aos poucos a afinar seus instrumentos. Refiro-me ao canto dos passarinhos. Aos poucos, roubando a atenção que era toda ela só para o galo, cada passarinho, com o canto breve e grave de um, agudo e longo de outro, vai afinando sua garganta e permitindo-se cantorias cada vez mais ousadas. Então, quando se pode dizer que a noite retirou-se totalmente e o dia apresentou-se para iluminar e aquecer o solo, todos os passarinhos, empolgadíssimos, estão tirando o melhor de cada fôlego, muito absortos que estão em com seus trinados, cantos, lamentos e gritos de guerra, convencer ou conquistar a atenção do adversário, da sua fêmea ou da fêmea de outrem (que além da fêmea, perderá a boa fama). Tudo o que os pássaros dizem compõem a orquestra do amanhecer.
André Faustino

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