Não há nada mais democrático que a morte. A morte alcança, quando ela bem quiser, o rico e o pobre, o homem e a mulher, o sábio e o ignorante, o animal e o vegetal, o Zé da padaria e o presidente dos Estados Unidos. Não é preciso ser idoso para morrer, nem estar doente, muito menos ser um soldado em ação arriscada. Qualquer ser vivo pode morrer a qualquer momento, de causas imperscrutáveis e de modos variados. Muitos dos passageiros do Titanic, por exemplo, não pensavam que teriam um encontro iminente com a morte, antes de embarcarem. Um homem com os seus quarenta anos que sempre teve o melhor plano de saúde, sempre cuidou de sua alimentação, nunca cultivou vícios e sempre se exercitou: numa das corridas pelas ruas próximas de sua casa, um caminhão desgovernado carregado de material inflamável atropela e mata esse nobre e valente conservador da vida, e mais algumas pessoas. Um jovem qualquer, caminhando para a escola de manhã enquanto uma tempestade se divisa no horizonte, é subitamente atingido por um raio e morre instantaneamente. Uma mulher grávida e sadia, a quem um médico aconselhou o parto normal, morre durante o parto. Uma menina linda, de seis anos, sai a brincar na rua com sua bicicleta novinha em folha e é atingida entre os olhos por uma bala perdida. Os exemplos são infinitos, mas esse texto não é. É por isso que pretendo multiplicar os exemplos... Espere um pouco leitor, tem um rapaz magricela aqui, vestido de preto e carregando uma foice. Cometeu a indelicadeza de me cutucar no ombro esquerdo com seus dedos ossudos. Vou ver o que ele quer e daqui a pouco eu volto.
André Faustino

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