Diz a Física que o vácuo é a ausência total de matéria.
Quando o vazio, porém, encontra-se dentro de alguém, seu peso pode ser insuportável.
O sangue corre, os músculos contraem-se e distendem-se, na cabeça uma multidão de pensamentos sucedem-se caoticamente, sem origem discernível, sem rumo aparente. Aquilo que se autodenomina "eu" observa, grita, pensa, sofre. Mas "eu" não escuta a si mesmo, pois o som não se propaga no vácuo. Há o desejo de "eu" tudo compreender e a tudo controlar, mas é superior a frustração de perder-se de si mesmo, de viver como conceito num corpo perecível, de ser razão num plano irracional, de buscar sentido no caos.
O coração quer sentir, quer, enfim, saber por quê bate. Mas uma bolha invisível e dura lhe distorce o exterior. A vida se mostra, mas não adentra, o sentimento brota, mas não se expressa. Sem vida, o sentimento se esvai em nada e o coração petrifica-se. O sentimento não sai, o nada permanece, a vida assume tons crepusculares. Tudo se transmuta em tristeza, angústia e agonia. A vida, toda colorida e de pés velozes, acena com prazeres e satisfação, mas não rompe o duro invólucro. Há um intervalo entre "eu" e mim mesmo, um intervalo indefinível e intransponível. Pelo menos ele assim se me afigura, nesse instante.
Sei que "eu" inteiro caminho sem saber para onde vou e essa ignorância do meu destino corta-me o passo, desorienta-me a mente, fatiga-me o corpo, aperta-me o coração. Às vezes, sinto uma profunda inveja dos fanáticos, que não titubeiam nunca. Inveja que só é ultrapassada pela repulsa de anular a mim mesmo ao não pensar. O tempo passa, leva a vida. Eu fico aqui, inerte, sentado numa pedra, pedra sendo.
Quando o vazio, porém, encontra-se dentro de alguém, seu peso pode ser insuportável.
O sangue corre, os músculos contraem-se e distendem-se, na cabeça uma multidão de pensamentos sucedem-se caoticamente, sem origem discernível, sem rumo aparente. Aquilo que se autodenomina "eu" observa, grita, pensa, sofre. Mas "eu" não escuta a si mesmo, pois o som não se propaga no vácuo. Há o desejo de "eu" tudo compreender e a tudo controlar, mas é superior a frustração de perder-se de si mesmo, de viver como conceito num corpo perecível, de ser razão num plano irracional, de buscar sentido no caos.
O coração quer sentir, quer, enfim, saber por quê bate. Mas uma bolha invisível e dura lhe distorce o exterior. A vida se mostra, mas não adentra, o sentimento brota, mas não se expressa. Sem vida, o sentimento se esvai em nada e o coração petrifica-se. O sentimento não sai, o nada permanece, a vida assume tons crepusculares. Tudo se transmuta em tristeza, angústia e agonia. A vida, toda colorida e de pés velozes, acena com prazeres e satisfação, mas não rompe o duro invólucro. Há um intervalo entre "eu" e mim mesmo, um intervalo indefinível e intransponível. Pelo menos ele assim se me afigura, nesse instante.
Sei que "eu" inteiro caminho sem saber para onde vou e essa ignorância do meu destino corta-me o passo, desorienta-me a mente, fatiga-me o corpo, aperta-me o coração. Às vezes, sinto uma profunda inveja dos fanáticos, que não titubeiam nunca. Inveja que só é ultrapassada pela repulsa de anular a mim mesmo ao não pensar. O tempo passa, leva a vida. Eu fico aqui, inerte, sentado numa pedra, pedra sendo.
André Faustino

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