Qualquer um que, utilizando a força, deseje instaurar a justiça social sobre a Terra sentirá a necessidade de contar com seguidores, ou seja, com uma organização humana. Ora, essa organização não atuará, a menos que se faça entrever indispensáveis recompensas psicológicas e materiais, sejam terrestres ou celestes, principalmente as recompensas psicológicas. Nas condições hodiernas de luta de classes, essas recompensas se traduzem pela satisfação dos ódios, dos desejos de vingança, dos ressentimentos e, primordialmente, pela tendência pseudo-ética de ter razão a qualquer preço, saciando, por consequência, a necessidade de difamar o adversário e de acusá-lo de heresia. Em seguida, aparecem as recompensas de caráter material: aventura, vitória, presa, poder e vantagens. Depende o êxito do chefe, totalmente, do funcionamento da organização com que ele conte. Por isso, ele depende também dos sentimentos que inspirem seus partidários e não somente dos sentimentos que pessoalmente o inspirem. Por conseguinte, seu futuro depende da possibilidade de assegurar, de maneira durável, todas essas recompensas aos partidários de que não pode prescindir, trate-se da guarda vermelha, de espiões ou de agitadores. O líder não é senhor absoluto dos resultados de sua atividade, devendo curvar-se também às exigências de seus partidários, exigências que podem ser moralmente torpes. Seus partidários estarão sob seu domínio enquanto fé sincera em sua pessoa e na causa que defende seja depositada pelo menos por uma fração desses partidários, já que nunca se deu que sentimentos idênticos inspirem sequer a maioria de um grupo humano. Tais convicções, mesmo quando subjetivamente as mais sinceras, não servem, em verdade e na maioria das vezes, senão para “justificar” moralmente os desejos de vingança, de poder, de lucros e de vantagens. Não permitiremos que nos contem fábulas a esse respeito.
Max Weber

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