26 de outubro de 2016

A loucura da guerra


Frequentemente me vem um pensamento estranho: e se um dos lados beligerantes propusesse ao outro enviar de cada exército um a um dos soldados? Pode parecer um desejo estranho, mas por que não executá-lo? Enviariam, depois, um segundo soldado de cada lado, em seguida um terceiro, um quarto e assim por diante, até que restasse apenas um soldado a cada exército (supondo que os exércitos tivessem forças equivalentes e que a quantidade fosse substituída pela qualidade). E então, se entre representantes racionais de seres racionais, questões políticas complexas devem de fato decidir-se pela briga, que se engalfinhem esses dois soldados - um a tomar a cidade, outro a defendê-la.
Esse raciocínio parece paradoxal, mas é plausível. De fato, qual seria a diferença entre um russo que luta contra um representante dos aliados e oitenta mil que lutam contra oitenta mil? Por que não centro e trinta e cinco mil contra cento e trinta e cinco mil? Por que não vinte mil contra vinte mil? Por que não vinte contra vinte? Por que não um contra um? Nenhuma dessas hipóteses é de forma alguma mais lógica do que a outra. Se bem que a última é até mais lógica, porque mais humana. Das duas, uma: ou a guerra é loucura, ou as pessoas, por praticarem essa loucura, não são absolutamente seres racionais como costumamos pensar sabe-se lá por quê.

Liev Tolstoi

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