Amáveis mulheres, sempre que se considere, com lúcido espírito, a ordem das coisas, com facilidade se nota que toda a feminilidade universal, a principiar pelo que existe de feminino na Natureza, nos hábitos e nas leis, está sujeita aos homens; nota-se, do mesmo modo, que é conforme com a discrição dos homens que se governa e se reina. Por isso, toda mulher que queira tranquilidade, consolo e descanso, em suas relações com os homens, e ainda mais com o homem a quem pertence, precisa ser humilde, paciente e obediente, e também honesta; a honestidade é o tesouro especial e supremo de qualquer mulher inteligente. Mesmo que, a tal respeito, as leis, que visam ao bem comum em tudo, não nos dessem ensinamentos; mesmo que não nos curvássemos aos usos e costumes, cujas forças são imensas e exigem respeito, seria suficiente que fitássemos aquilo que nos mostra a Natureza, francamente; efetivamente, a Natureza criou-nos delicadas e macias de corpo; criou-nos tímidas e receosas, com respeito ao espírito; deu-nos força física bem diminuta; presenteou-nos com voz de timbres agradáveis; e dá-nos movimentos suaves aos membros. Ora, tudo isso evidencia que precisamos do governo alheio. E quem precisa ser auxiliado e governado deve ser, pela normalidade da razão das coisas, obediente e submisso, além de reverente, quanto àquele que o governa. E quais são os que nos governam, e os que nos ajudam, senão os homens? Por isso, aos homens é que devemos submeter-nos, prestando-lhes homenagens supremas. Toda mulher que se desvia deste preceito torna-se merecedora, conforme a sua maneira de pensar, não apenas de grave censura, como ainda de severa punição.
Giovanni Boccaccio

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