- Seu Aranha vivia numa aldeia cercada por muitas outras aldeias. No fim da estação de colheita, todas as aldeias faziam um banquete para celebrar o sucesso de suas colheitas. Tinha vinho e comida em abundância e as pessoas comiam até que pudessem ver seu próprio reflexo no estômago do outro.
- Como é que é? - protestamos todos, chocados com o detalhe extraordinário que ele adicionara à história.
- Quem está contando a história sou eu, então posso contar a minha versão. Esperem a vez de vocês. - Musa ficou de pé.
Ficamos atentos para ver se ele ia enfeitar a história com mais detalhes surpreendentes. Ele então se sentou outra vez e continuou:
- Cada aldeia era especializada em um prato. A aldeia de Seu Aranha fazia sopa de quiabo com óleo de palmeira e peixe. Hmm... hmm... hmm... As outras aldeias faziam folheados de mandioca com carne, batatas e por aí em diante. Cada aldeia contava vantagem sobre o quanto seu prato ficaria delicioso. Todas as aldeias estendiam o convite para suas festas às demais. Mas Seu Aranha levou isso extremamente a sério. Ele queria estar presente a todas as festas de todas as aldeias. Ele tinha que bolar um plano. Começou a catar cordas por toda a sua aldeia e a trançá-las meses antes das festas. Enquanto as pessoas carregavam cestas cheias de arroz e feixes de madeira para a praça, e as mulheres passavam o arroz nos pilões, debulhando os grãos, Seu Aranha esticava as cordas em sua varanda e media o tamanho delas. Enquanto os homens saíam para caçar, ele estava ocupado estendendo as cordas pelas trilhas que ligavam sua aldeia a todas as outras aldeias vizinhas. Ele deu a ponta de cada corda para o chefe de cada aldeia, que amarraram as pontas às árvores mais próximas das praças locais. "Diga ao seu povo que puxe a corda quando a comida estiver pronta", pediu a cada chefe, com sua voz anasalada. Seu Aranha passou fome durante uma semana para se preparar. Quando finalmente chegou o dia da festa, Seu Aranha levantou antes de todo mundo. Sentou na sua varanda e amarrou com o maior cuidado todas as cordas a sua cintura. Ele chegava a tremer e a saliva escorria de sua boca quando o cheiro de carne defumada, peixe frito e vários cozidos saía das cozinhas das cabanas.
Infelizmente, todas as festas começaram na mesma hora e os chefes mandaram que as cordas fossem puxadas ao mesmo tempo. Seu Aranha ficou suspenso no ar, puxado em todas as direções. Ele gritou por socorro, mas os tambores e a música de cada praça em cada aldeia abafou sua voz. Ele via toda a gente reunida em volta dos pratos e lambendo os dedos depois das refeições. As crianças correndo pelas aldeias a caminho do rio, mastigando pedaços de galinha cozida, carne de cabrito e veado. Toda vez que tentava se soltar das cordas, as pessoas nas aldeias puxavam Seu Aranha com mais força, pois pensavam que aquilo era um sinal de que ele estava pronto para visitar suas festas. No final da comemoração na aldeia do Seu Aranha, um menino o viu lá no alto e chamou os mais velhos. Eles cortaram as cordas e trouxeram Seu Aranha para o chão. Numa voz quase inaudível ele pediu um pouco de comida, mas não havia sobrado nada da festa. Os banquetes já estavam encerrados em toda parte. Seu Aranha continuou com fome e, tendo ficado tanto tempo puxado com força, isso explica por que as aranhas têm uma cintura tão fina.
- Como é que é? - protestamos todos, chocados com o detalhe extraordinário que ele adicionara à história.
- Quem está contando a história sou eu, então posso contar a minha versão. Esperem a vez de vocês. - Musa ficou de pé.
Ficamos atentos para ver se ele ia enfeitar a história com mais detalhes surpreendentes. Ele então se sentou outra vez e continuou:
- Cada aldeia era especializada em um prato. A aldeia de Seu Aranha fazia sopa de quiabo com óleo de palmeira e peixe. Hmm... hmm... hmm... As outras aldeias faziam folheados de mandioca com carne, batatas e por aí em diante. Cada aldeia contava vantagem sobre o quanto seu prato ficaria delicioso. Todas as aldeias estendiam o convite para suas festas às demais. Mas Seu Aranha levou isso extremamente a sério. Ele queria estar presente a todas as festas de todas as aldeias. Ele tinha que bolar um plano. Começou a catar cordas por toda a sua aldeia e a trançá-las meses antes das festas. Enquanto as pessoas carregavam cestas cheias de arroz e feixes de madeira para a praça, e as mulheres passavam o arroz nos pilões, debulhando os grãos, Seu Aranha esticava as cordas em sua varanda e media o tamanho delas. Enquanto os homens saíam para caçar, ele estava ocupado estendendo as cordas pelas trilhas que ligavam sua aldeia a todas as outras aldeias vizinhas. Ele deu a ponta de cada corda para o chefe de cada aldeia, que amarraram as pontas às árvores mais próximas das praças locais. "Diga ao seu povo que puxe a corda quando a comida estiver pronta", pediu a cada chefe, com sua voz anasalada. Seu Aranha passou fome durante uma semana para se preparar. Quando finalmente chegou o dia da festa, Seu Aranha levantou antes de todo mundo. Sentou na sua varanda e amarrou com o maior cuidado todas as cordas a sua cintura. Ele chegava a tremer e a saliva escorria de sua boca quando o cheiro de carne defumada, peixe frito e vários cozidos saía das cozinhas das cabanas.
Infelizmente, todas as festas começaram na mesma hora e os chefes mandaram que as cordas fossem puxadas ao mesmo tempo. Seu Aranha ficou suspenso no ar, puxado em todas as direções. Ele gritou por socorro, mas os tambores e a música de cada praça em cada aldeia abafou sua voz. Ele via toda a gente reunida em volta dos pratos e lambendo os dedos depois das refeições. As crianças correndo pelas aldeias a caminho do rio, mastigando pedaços de galinha cozida, carne de cabrito e veado. Toda vez que tentava se soltar das cordas, as pessoas nas aldeias puxavam Seu Aranha com mais força, pois pensavam que aquilo era um sinal de que ele estava pronto para visitar suas festas. No final da comemoração na aldeia do Seu Aranha, um menino o viu lá no alto e chamou os mais velhos. Eles cortaram as cordas e trouxeram Seu Aranha para o chão. Numa voz quase inaudível ele pediu um pouco de comida, mas não havia sobrado nada da festa. Os banquetes já estavam encerrados em toda parte. Seu Aranha continuou com fome e, tendo ficado tanto tempo puxado com força, isso explica por que as aranhas têm uma cintura tão fina.
Ishmael Beah

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