22 de outubro de 2016

Richarlyson no Big Brother


Dizem (sujeito indeterminado) que o Richarlyson, jogador do São Paulo, é gay.
A mim não importa se ele é ou não é gay. Penso que a pessoa que ele é não será melhor nem pior por causa da sua sexualidade. No entanto, para a maioria dos humanóides (essa enorme massa de cabeças desocupadas prontas a tratar despudoradamente do cu alheio), o Richarlyson é gay sim e ponto final. Caso o Richarlyson seja realmente gay, por que isso preocupa tanto aos telespectadores e torcedores? O simples fato de essa preocupação existir é que é o problema, não a sexualidade de um ou de outro. Afinal, jogador bom é aquele que desempenha bem seu papel em campo, e ser heterossexual não é garantia disso.
Na tarde chuvosa de hoje, sem nada melhor para fazer, assisti ao jogo do São Paulo contra o Corinthians. Pouco antes do jogo acabar, alguém mencionou que caso o Richarlyson seja gay, então ele é muito corajoso de viver num meio tão macho, como o Planeta Chuteira. Pensei comigo mesmo: e qual gay não é corajoso de viver num mundo majoritariamente heterossexual e preconceituoso?
Instantes depois, levantou-se a hipótese de o Richarlyson assumir sua homossexualidade. E a conclusão a que cheguei foi triste. Nenhum jogador de futebol poderia fazer isso e sair incólume. Ser gay e disfarçar tudo bem, afinal é isso o que se espera. Todos podem fingir hipocritamente que não sabem. Mas... assumir a homossexualidade? Isso não! Isso seria um insulto à moderna sociedade civilizada ocidental neoliberal de extrema direita do reino de Deus! Gay respeitável é gay que se esconde!
O ocultamento da sua condição de homossexual funcionaria como uma espécie de confissão velada sob o estigma da culpa e da vergonha. Não sentir culpa ou vergonha por ser gay seria tão ou mais ultrajante quanto o próprio fato de ser gay. Um gay como esse, que se esconde, embora não caia na graça dos heteros, é pelo menos tolerável (caso contrário ocorre com muitos gays que se rebelam contra o preconceito e a hipocrisia que impera entre a maioria heterossexual: são as "bichas loucas").
Moral da história: não importa o que você é, mas sim o quanto você se adequa à imagem que esperam (sujeito indeterminado de novo) que você represente. Isso vale tanto para sua sexualidade quanto para sua fidelidade religiosa ou convicção ideológica, por exemplo. A ovelha que questiona o dogma e o pensador que discorda da maioria também são vítimas de preconceito hipócrita. Esse é o verdadeiro Big Brother (onde a todas as pessoas estão no paredão, pronto para ferrar ao próximo como a si mesmo).

P.S.: Sexualidade à parte, simpatizo com o Richarlyson, pois creio que alguém batizado com esse nome merece toda a felicidade do mundo.

André Faustino

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