Assim como o fogo é envolvido pela fumaça, um espelho pela poeira, e o feto no ventre materno pelos tegumentos que rodeiam um embrião, assim também a compreensão é envolvida pelo desejo. A inteligência superior do homem - que intrinsecamente é dotado de perfeito discernimento - está cercada por este eterno inimigo, o desejo, que possui todas as formas possíveis e que é um fogo insaciável. As forças sensoriais, a mente e a faculdade de compreensão intuitiva, são todas consideradas sua morada. Por meio delas, o desejo atordoa e confunde o Possuidor do corpo, velando sua compreensão superior. Portanto, começa por sujeitar os órgãos dos sentidos e mata este maligno, o destruidor da sabedoria e da realização. As forças sensoriais são superiores ao corpo físico; a mente é superior aos sentidos; a compreensão intuitiva, por sua vez, é superior à mente; e, superior à compreensão intuitiva é Ele, o Possuidor do corpo, o Eu. Por isso, tendo despertado para o fato de que Ele é superior e está além da esfera da compreensão intuitiva, aquieta firmemente o eu por meio do Eu, e mata o inimigo que tem a forma do desejo (ou que assume qualquer forma que lhe agrade) e que é difícil vencer.
Ao contemplarmos os objetos dos sentidos interiormente, visualizando-os e ponderando-os, criamos apego a eles; do apego nasce o desejo; do desejo surgem a cólera e as paixões violentas; da paixão violenta, o atordoamento e a confusão; do atordoamento, a perda da memória e do autodomínio consciente; desta perturbação, ou ruína do autocontrole, advém o desaparecimento da compreensão intuitiva; e da ruína da compreensão intuitiva vem a ruína do próprio homem.
Ao contemplarmos os objetos dos sentidos interiormente, visualizando-os e ponderando-os, criamos apego a eles; do apego nasce o desejo; do desejo surgem a cólera e as paixões violentas; da paixão violenta, o atordoamento e a confusão; do atordoamento, a perda da memória e do autodomínio consciente; desta perturbação, ou ruína do autocontrole, advém o desaparecimento da compreensão intuitiva; e da ruína da compreensão intuitiva vem a ruína do próprio homem.
Heinrich Zimmer

Nenhum comentário:
Postar um comentário