25 de setembro de 2016

A solução para a fome


É um foco de ira para aqueles que andam por esta grande Cidade ou viajam para o Interior, quando veem as Ruas, as Estradas e as Soleiras das Casas abarrotadas de Mendigas seguidas por três, quatro ou seis Crianças, todas em trapos e importunando cada um dos Passantes por uma Esmola. Essas Mães, em vez de poderem trabalhar para seu sustento honesto, são obrigadas a empregar todo seu tempo em Perambulações para implorar sustento a suas Crianças desamparadas, que, à medida que crescerem, ou viram Ladrões por falta de trabalho, ou deixam sua Terra Mãe querida para lutar pelo pretendente na Espanha ou se vender aos Barbados. Acho que é um consenso de todas as Partes que esse prodigioso número de Crianças nos Braços, nas Costas ou nos Calcanhares de suas Mães, e frequentemente de seus Pais é, do deplorável presente estado do Reino, um considerável malefício adicional; e, portanto, quem quer que pudesse encontrar um método justo, barato e fácil de tornar essas Crianças úteis e saudáveis Membros dos Bens-comuns, mereceria ter por parte do público a sua Estátua como preservador da Nação. Mas minha intenção está muito longe de se limitar a prover apenas Filhos dos proferidos Mendigos. É de uma Extensão muito maior e deve englobar o Total de Crianças em determinada Idade, tanto nascidas de Pais efetivamente pouco capazes de sustentá-las, tanto aquelas que demandam a nossa Caridade nas Ruas. Da minha parte, tendo debruçado meus pensamentos por muitos Anos sobre este Importante assunto, e tendo pesado maduramente as Propostas de outros Planejadores, Eu sempre os achei grosseiramente enganados em seus cálculos. É claro que uma criança recém-saída de sua Mãe pode ser sustentada por seu Leite por um Ano Solar com um pouco mais de alimento, provavelmente com não mais do que a Quantia de dois shillings, que a Mãe pode certamente conseguir, ou o valor em migalhas, por sua legal Ocupação de Mendigar. E é exatamente com um Ano de Idade que eu proponho olhar por elas de tal maneira que, em vez de serem um Fardo para seus pais, ou para a Paróquia, ou querendo Comida e Roupa para o resto de suas Vidas, elas deverão, pelo Contrário, contribuir para a Alimentação e em parte pelo Vestuário de muitos Milhares. Há igualmente outra grande Vantagem em meu Projeto, que prevenirá aqueles Abortos Voluntários e aquela horrenda prática de Mulheres assassinando seus Filhos Bastardos infelizmente frequente demais entre nós, Sacrificando os pobres inocentes Bebês, desconfio que mais para evitar as Despesas do que a Vergonha, o que traz Lágrimas e Pena até ao mais Selvagem e desumano peito. Sendo o número de Viventes neste Reino geralmente estimado em um Milhão e meio, desses calculo que deva haver mais ou menos duzentos mil Casais cujas Mulheres sejam Parideiras, número do qual subtraio trinta Mil Casais capazes de manter seus próprios Filhos, embora tema que possam não ser tantos, com as atuais Aflições do Reino. Mas, assim sendo, sobrarão cento e setenta Mil Reprodutoras. Novamente Subtraio cinquenta Mil, para aquelas Mulheres que abortam naturalmente ou cujas Crianças morrem por acidente ou doença durante o primeiro Ano de Vida. Sobram apenas cento e vinte Mil Filhos de Pais Pobres nascidos anualmente. Logo, a pergunta é: como serão criados e sustentados? Como já disse, nas atuais Circunstâncias, é terminantemente impossível pelos Métodos propostos até agora, pois não podemos empregá-los na Indústria ou na Agricultura; nem construímos casas (digo, no Campo) ou cultivamos Terra: eles raramente podem ganhar a Vida Roubando, antes de chegar aos seis Anos, a não ser que sejam muito Precoces, embora, confesso, eles aprendam os Fundamentos bem mais cedo. Durante este período, entretanto, podem ser considerados apenas Aprendizes, como fui informado por um cavalheiro dirigente no Condado de Cavan que me assegurou que nunca soube de mais de um ou dois Casos abaixo dos seis Anos, mesmo em uma parte do Reino tão conhecida pela mais ágil competência nesta Arte. Foi-me assegurado por nossos Mercadores que um Garoto ou uma Garota antes dos doze anos não é uma Mercadoria vendável; mesmo quando atingem essa idade não rendem, na troca, mais do que três pounds, ou três pounds e meia Coroa, no máximo, o que não pode reverter em Lucro nem para os Pais ou para o Reino, pois O Custo em Alimentação e Trapos é de pelo menos quatro vezes este Valor. Devo agora, portanto, humildemente expor meus próprios Pensamentos, que espero não sejam passíveis da menor Objeção. Foi-me assegurado por um americano muito entendido, amigo meu em Londres, que uma Criancinha saudável bem tratada é, com um Ano, um Alimento delicioso e nutritivo, seja Cozida, Grelhada, Assada ou Fervida; e eu não tenho dúvidas de que serviria também em um Guisado ou um Ensopado. Eu, então, humildemente ofereço à apreciação do público que das cento e vinte Mil crianças já calculadas, vinte Mil sejam reservadas para Reprodução, das quais um quarto seriam Machos, mais do que admitimos para Ovelhas, Bovinos ou Suínos. Meu Argumento é que essas Crianças raramente são Frutos do Matrimônio, uma Circunstância não muito levada em conta por nossos Selvagens, sendo portanto um Macho suficiente para servir quatro Fêmeas. Que as cem Mil restantes, com a Idade de um ano sejam postas à Venda para pessoas de Boa Posição Social e Fortuna em todo o Reino, sempre aconselhando a mãe que as deixem Sugar abundantemente durante o último Mês, de modo que as entreguem Gordas e Rechonchudas para uma boa Mesa. Uma Criança daria dois Pratos em uma Recepção para os Amigos, e quando a família jantar sozinha, o Quarto dianteiro ou traseiro daria um Prato razoável. Temperado com um pouco de Pimenta ou Sal ficaria muito bom fervido no quarto Dia, especialmente no Inverno. Calculei que uma criança recém-nascida pesa, em média, umas doze libras e que, em um Ano solar, se razoavelmente bem cuidada, aumentaria para vinte e oito libras. Admito que esta comida será um tanto cara e, sendo assim, muito apropriada para Senhores de terra que, tendo já devorado a maioria dos pais, parecem ter maiores Direitos sobre os filhos. A Carne de Bebê seria de Estação durante o Ano inteiro, porém mais abundante em março e um pouco antes e um pouco depois; porque foi dito por um sério Autor, proeminente Médico Francês, que sendo o Peixe um alimento prolífico, existem nos países Católico-Romanos mais crianças nascidas nove meses após a Quaresma do que em qualquer outra época; então, contando um ano após a Quaresma os Mercadores estariam mais cheios do que de costume, pois o número de Bebês Papistas é pelo menos três para um neste Reino, tendo assim outra Vantagem, que seria a de diminuir o Número de Papistas entre nós. Já avaliei o Custo para sustentar um Filho de Mendigo (onde incluo todos os Camponeses, Trabalhadores e quatro quintos dos Agricultores), que deve girar em torno de dois shillings por Ano, Trapos incluídos. Acredito que nenhum Cavalheiro negaria Dez shillings pela carcaça de uma Criança bem gorda, que, como eu já disse, dará quatro pratos de excelente Carne Nutritiva, quando ele só tivesse um Amigo íntimo ou sua própria Família para o jantar. Assim, o Dono das Terras aprenderá a ser um bom Senhor e se tornará popular entre seus Inquilinos, a Mãe terá Oito shillings de Lucro líquido e estará apta para trabalhar até que produza outra Criança. Aqueles mais econômicos (e devo admitir que os Tempos pedem isso) poderiam esfolar a Carcaça; a Pele, Artificialmente tratada, daria admiráveis Luvas para as Damas e Botas de Verão para os finos Cavalheiros. Quanto à nossa cidade de Dublin, Matadouros poderão ser designados para este propósito, em suas partes mais convenientes, e podemos ter certeza que Açougueiros não faltarão; se bem que eu prefiro recomendar que as Crianças sejam compradas vivas e preparadas quando saídas quentes do espeto, como fazemos com Porcos assados. Uma Pessoa de muito valor, um verdadeiro Amante de seu País e cujas Virtudes muito estimo, recentemente, discutindo esta questão, deleitou-se ao oferecer um refinamento ao meu Projeto. Ele disse que muitos Cavalheiros neste Reino, tendo ultimamente dizimado seus Veados, imaginou que a Procura por esta Carne de Caça poderia bem ser suprida pelos Corpos de jovens Rapazes e Moças, com não mais de catorze anos, nem menos de doze. Grande é o Número, de ambos os Sexos, em todos os Países estando agora a ponto de Morrer de Fome, por falta de Trabalho e deles se livrariam seus Pais, se vivos, ou então seus Parentes mais próximos. Mas com o devido respeito a tão excelente amigo e tão meritório Patriota, não posso concordar totalmente com sua Visão, porque quanto aos Machos, meu conhecido americano assegurou-me com vasta experiência que sua carne é normalmente Dura e Magra, tal como a de nossos Escolares devido ao exercício e seu gosto desagradável. Engordá-los não resolveria a Questão. Quanto às Fêmeas, acredito humildemente que seriam uma perda para o Público, porque elas em breve se tornariam Parideiras. Além disso, não é improvável que algumas Pessoas escrupulosas pudessem Censurar tal Prática (embora muito injustamente) de beirar um pouco a Crueldade, o que confesso ter sempre sido para mim a mais forte Objeção contra qualquer Projeto, por mais bem intencionado que seja. Mas com o intuito de justificar o meu amigo, ele confessou que este expediente lhe fora posto em Mente pelo famoso Sallmanaazor, um Nativo da Ilha Formosa, que de lá veio para Londres há mais de vinte Anos e durante uma Conversa contou ao meu amigo que, em seu País, quando acontecia de qualquer Jovem ser condenado à morte, o Carrasco vendia a Carcaça para Pessoas de Boa Posição Social como algo Delicioso e que, em seu tempo, o Corpo de uma rechonchuda de quinze que fora crucificada por uma tentativa de envenenar o Imperador foi vendido para O Primeiro Ministro de Estado de Sua Majestade e a outros grandes Mandarins da Corte, aos pedaços, por quatrocentas Coroas. Tampouco posso negar que se o mesmo Uso fosse dado a várias garotas rechonchudas da cidade, que, sem um único Tostão por Fortuna, não podem ir muito longe sem uma Cadeira, nem aparecer no Teatro ou Reuniões com Adornos importados, que nunca poderão pagar, nem por isso o Reino estaria pior. Algumas pessoas de Espírito desencorajado estão muito preocupadas com aquele imenso Número de pessoas Pobres que são Idosas, Doentes ou Mutiladas. Fui solicitado a empregar meus Pensamentos para o Curso que deve ser tomado, para aliviar a Nação de tão penosa Incumbência. Mas não estou preocupado com esta questão, porque é muito bem sabido que eles estão todos os Dias morrendo e apodrecendo, de frio, de fome, de sujeira e de vermes, tão rápido quanto pode ser esperado. E quanto aos Lavradores mais jovens, eles agora estão em Condição quase que tão promissora quanto. Não conseguem Trabalho e, consequentemente, desfalecem por falta de Alimento, a tal ponto que se fossem eventualmente contratados para algum Serviço comum não teriam Forças para realizá-lo, estando assim o país e eles mesmos alegremente livres dos Males por vir. Minha digressão foi muito longa, portanto devo retornar ao meu Assunto. Eu acho que as Vantagens da Proposta que fiz são óbvias e muitas, da maior Importância. Primeiramente, como já observei, diminuiria bastante o Número de Papistas, pelos quais somos Anualmente infestados, sendo os principais Reprodutores da Nação, assim como nossos mais perigosos Inimigos, e que permanecem em casa de propósito com a Intenção de entregar o Reino ao Pretendente, na esperança de aproveitar a Ausência de tantos bons Protestantes, que preferiram deixar seu País a ficar em casa e pagar, ainda que contra sua consciência, o Dízimo a um Vigário Episcopal. Em segundo lugar, os Inquilinos mais pobres terão algo de valor, que por Lei ficasse disponível em caso de Necessidade e ajudaria a pagar o Aluguel ao seu Senhor, seu Milho e seu Rebanho já tendo sido levados, e sendo o Dinheiro uma Coisa desconhecida. Em terceiro lugar, a Manutenção de cem mil crianças a partir dos dois Anos, não podendo ser calculada em menos de dez shillings por Cabeça ao Ano, para o Tesouro Nacional serão então acrescidas cinquenta mil Libras por Ano, além da Vantagem de um Novo Prato introduzido na mesa de todos os Cavalheiros de Fortuna no Reino que tenham qualquer Refinamento em seu Gosto, e o Dinheiro circulará entre Nós, os Produtos sendo inteiramente Produzidos e Manufaturados por nós. Em quarto lugar, as Parideiras regulares, além de ganharem oito shillings Esterlinos por Ano pela Venda de suas Crianças, estarão livres do Encargo de mantê-las após o primeiro Ano. Em quinto lugar, este Alimento traria grande Clientela para as Tavernas, onde os Fazedores de Vinho serão certamente sensatos para conseguir as melhores Receitas para prepará-lo com perfeição e, consequentemente, ter suas casas frequentadas por todos os Cavalheiros finos, que se orgulham com razão de serem Entendidos em boa Mesa. Um Cozinheiro habilidoso, que saiba como agradar seus Convidados, dará um jeito de tornar tão caro quanto quiser. Incentivador para o Casamento, que todas as Nações sábias têm estimulado por Recompensas ou imposto Leis e Penalidades. Aumentaria o Cuidado e Ternura das Mães com suas crianças quando estivessem seguras de terem seus Pobres Bebês um Encaminhamento na Vida, de certa forma graças ao público, deveremos logo notar uma honesta Competição entre as mulheres Casadas, sobre qual delas poderá trazer a criança mais gorda ao mercado. Os homens passariam a gostar mais de suas Esposas durante a Época de sua Gravidez, assim como gostam agora de suas Éguas e vacas prenhes ou de suas Porcas quando estão prontas para parir, e não bateriam nelas ou as chutariam (Prática muito frequente) por medo de Aborto. Muitas outras Vantagens podem ser enumeradas. Por exemplo, o Acréscimo de alguns milhares de Carcaças na Exportação de Carne de Barril: a Propagação da Carne Suína e Melhoramentos na Arte de fazer Bom Bacon, tão em falta entre nós pela grande Destruição de Porcos, muito frequente em nossas Mesas, que não são de maneira alguma comparáveis em Sabor ou Suntuosidade a uma bem desenvolvida e gorda Criança de Um ano, que, assada inteira, será uma Atração considerável em um Banquete do Senhor Prefeito, ou qualquer outra Recepção Pública. Mas isto e muitas outras coisas eu omitirei, sendo adepto da Brevidade. Supondo que Mil Famílias nesta Cidade fossem consumidoras regulares de Carne de Bebê, além de outras que poderiam tê-las em alguma Ocasião festiva, particularmente em Casamentos e Batizados, calculo que Dublin consumiria anualmente mais ou menos vinte mil Carcaças; o resto do Reino (onde provavelmente elas seriam vendidas mais baratas), as oitenta Mil restantes. Não me ocorre objeção alguma que possa ser levantada contra esta Proposta, a menos que se retruque que o Número de pessoas ficaria assim bastante reduzido no Reino. Isso eu reconheço de bom grado, sendo este, na verdade, um dos principais motivos Pensados em oferecê-la ao Mundo. Desejo que o Leitor observe que calculo meu Corretivo especificamente para o Reino da Irlanda, e para nenhum outro que tenha existido, exista, ou Imagino, venha a existir na face da Terra. Que não venham, então, falar em outros Propósitos: de cobrar dos nossos Ausentes cinco shillings por Libra de Imposto; de não usar Roupa ou Mobília que não seja de nosso cultivo ou manufatura; de rejeitar totalmente Materiais e Instrumentos que promovam o Luxo Estrangeiro; de sanar o Alto Custo de Orgulho, Vaidade, Ociosidade e Jogos Fúteis das nossas Mulheres; de introduzir um mínimo de Parcimônia, Prudência e Moderação; de aprender a amar nosso País, no que diferimos até menos dos Lapônios e dos Tupinambás; de deixar de lado nossas Hostilidades e diferenças, nem agir mais como os Judeus, que estavam se matando uns aos outros no Momento em que sua Cidade foi tomada; de sermos um pouco cuidadosos de não vender nossos País e nossas Consciências por nada; de ensinar os senhores de Terra a ter pelo menos um grau de Compaixão para com seus Inquilinos; e, finalmente, de colocar um Espírito de Honestidade, Zelo e Habilidade em nossos Comerciantes, que, se fosse agora tomada a Decisão de se comprar apenas Produtos Nativos, imediatamente se reuniriam para nos engabelar e nos impor o preço, a Medida e a Qualidade; eles nunca puderam ser trazidos a uma proposta justa de Transações Honestas, ainda que frequente e ardentemente solicitados para tanto. Repito, portanto, que nenhum Homem venha falar comigo sobre esses Propósitos e outros similares até que exista pelo menos um Vislumbre de Esperança de alguma calorosa e sincera Tentativa de colocá-los em Prática. Mas quanto a mim, tendo me desgastado por muitos Anos oferecendo Pensamentos vãos, ociosos e Visionários, e afinal totalmente desacreditando em seu Sucesso, felizmente tropecei nesta Proposta absolutamente nova, que possui algo de Sólido e Real, de nenhum Custo e pouco Trabalho, plenamente em nosso Poder, com a qual não corremos nenhum Perigo de desagradar a Inglaterra. Pois este tipo de Mercadoria não suportará a Exportação, sendo a Carne de Consistência muito tenra para resistir a uma longa permanência no Sal, muito embora eu possa citar um país que devoraria com prazer a nossa Nação inteira sem ele. Enfim, não sou tão apegado à minha própria Opinião a ponto de rejeitar qualquer Proposta oferecida por Homens sábios, que possa ser igualmente considerada Inocente, Barata, Fácil e Eficaz. Mas antes que algo desse Tipo seja Contraposto ao meu Projeto, e seja proposto outro melhor, desejo que seu Autor ou Autores tenham a maturidade de considerar dois Pontos. Primeiro, do jeito em que As Coisas estão, como eles conseguirão achar Comida e Roupa para Cem mil Bocas e Costas inúteis. Segundo, existindo aproximadamente Um Milhão de Criaturas em Forma Humana neste Reino cuja toda Subsistência os deixaria com uma Dívida de dois Milhões de Libras Esterlinas, somando aqueles que são Mendigos Profissionais à Massa de Agricultores, Camponeses e Trabalhadores com suas Mulheres e Crianças, que são Praticamente mendigos; desejo que esses Políticos que não gostam da minha Sugestão e que talvez sejam ousados o suficiente para Retrucar, que eles falem primeiro com os Pais desses Mortais, se eles Hoje não consideram que teria sido uma grande Felicidade ter sido vendido como Comida com Um Ano de Idade, da maneira como estou receitando, tendo assim evitado tal perpétuo Cenário de Desgraças, como o que vêm atravessando desde então pela Opressão dos Senhores de Terra, a Impossibilidade de Pagar o Aluguel sem Dinheiro ou Emprego, a Falta de Simples Sustento, sem Lar ou Roupas para abrigá-los das Inclemências Climáticas, e a inevitável Perspectiva de legar tal ou ainda maior miséria à sua Prole para sempre. Declaro na Sinceridade do meu Coração que não tenho o menor Interesse Pessoal em procurar promover este Trabalho necessário, não tenho outro Motivo senão o Bem Público do meu País, desenvolvendo nosso Comércio, suprindo as necessidades das Crianças e dando algum prazer para os Ricos. Não tenho Filhos com as quais pudesse ganhar um Tostão; o mais jovem tem Nove anos e minha Esposa ultrapassou a idade de Procriar.

Jonathan Swift

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