16 de setembro de 2016

Olhando para o infinito


Na fazenda, eu me afastava dos outros e saía para caminhar sossegadamente, com as mãos nos bolsos. Gostava de correr atrás das galinhas, de acariciar os cavalos, de brincar com os cães. Enquanto meus passos errantes me levavam para todos os lados, embriagava-me lentamente com o cheiro da terra misturada com esterco e com a essência de diversas folhas e flores. Descobria espécies exóticas de larvas e insetos, aprendia as cores e os cantos dos pássaros, as cores e tonalidades do céu. E, à medida em que perambulava, sentia que ia encolhendo. Não, porém, como se eu fosse um intruso que devesse passar despercebido pela natureza ao redor. Pelo contrário, eu me sentia cada vez mais integrado à natureza, eu me sentia como só mais uma peça diminuta de um mistério enorme e bonito, que eu ainda não sabia chamar de Deus. Sentado em um monte de feno, ou pendurado na cerca do estábulo, eu olhava o horizonte para além dos pastos. Olhava e entendia que todas aquelas plantas e bichos nasciam e morriam, mas que a natureza mesmo estava sempre ali, e bem viva. E quando meus olhos não viam mais nada é que eu enxergava um pedacinho bem pequenininho do infinito, ele também um mistério. E, enquanto eu contemplava o infinito, ele parecia tomar meus olhos emprestados e olhava para dentro de mim. Creio que ele também via um mistério, pois eu não tenho fundo.

André Faustino

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