21 de setembro de 2016

O louco


Foi no jardim de um hospício que encontrei um jovem da face pálida e formosa, e cheia de espanto.
Sentei-me no banco ao seu lado e perguntei-lhe: "Por que está aqui?"
E ele olhou-me, admirado, e disse: "É uma pergunta indiscreta; contudo, vou responder-lhe. Meu pai queria fazer de mim uma reprodução de si próprio; o mesmo queria meu tio. Minha mãe pretendia fazer de mim a imagem de seu ilustre pai. Minha irmã considerava seu marido, marinheiro, como o exemplo perfeito que eu deveria seguir. Meu irmão achava que eu tinha que ser como ele, um excelente atleta.
E meus professores também, o lente de filosofia, e o professor de música, e o de lógica, cada um queria que eu não fosse senão o reflexo de sua própria face.
Desta forma, vim para este lugar. Acho mais são aqui. Pelo menos, posso ser eu mesmo."
Depois, subitamente, virou-se para mim e perguntou: "Mas, diga-me, o senhor também foi trazido a este lugar pela educação e o bom conselho?"
E eu respondi: "Não, eu sou um visitante."
E ele disse: "Ah, o senhor é um daqueles que vivem no hospício do outro lado da muralha."

Khalil Gibran

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