23 de novembro de 2016

Há algum modo de ser feliz nos relacionamentos?


Quando eu aprenderei o suficiente sobre os relacionamentos para conseguir que sejam bons? Há algum modo de ser feliz nos relacionamentos? Eles têm de ser sempre difíceis?

Você não tem de aprender ensinamento algum sobre os relacionamentos. Só tem de demonstrar o que já sabe.
Há um modo de ser feliz nos relacionamentos, e é usá-los para a finalidade que têm, não para a que você quer.
Os relacionamentos são sempre um desafio, levando-o a criar, expressar e experimentar aspectos cada vez mais sublimes, visões cada vez mais amplas e versões cada vez mais maravilhosas de si mesmo. Em nenhuma outra situação você pode fazer isso com um maior impacto, mais imediata e perfeitamente do que nos relacionamentos. De fato, sem os relacionamentos é impossível fazer isso.
É apenas através dos seus relacionamentos com outras pessoas, lugares e eventos que você pode existir (como uma parte conhecível, algo identificável) no universo. Lembre-se de que na ausência de tudo o mais, você não é. É assim no mundo relativo, ao contrário de no mundo absoluto, onde Eu resido.
Quando você entender claramente isso, louvará intuitivamente todas as experiências, todos os encontros humanos e especialmente todos os relacionamentos pessoais, porque os considerará construtivos, no sentido mais elevado. Verá que podem, devem e estão sendo usados (queira você ou não) para construir Quem Você Realmente É.
Essa construção pode ser uma criação grandiosa e consciente, sua, ou uma configuração estritamente fortuita. Você pode escolher ser uma pessoa que resultou apenas do que aconteceu, ou do que escolheu ser e fazer em relação ao que aconteceu. É da última forma que a criação do Eu se torna consciente. É na segunda experiência que o Eu se torna realizado.
Portanto, bendiga todos os relacionamentos e considere-os especiais, porque determinam Quem Você É - e agora escolhe ser.
A sua pergunta diz respeito aos relacionamentos humanos individuais do tipo romântico, e Eu entendo isso. Então vou falar específica e detalhadamente sobre os relacionamentos amorosos humanos - que continuam a dar-lhe tanto trabalho!
Quando esses relacionamentos fracassam (na verdade, nunca fracassam, exceto no sentido estritamente humano de não proporcionarem o que você deseja), isso ocorre porque foram formados pelo motivo errado.
(É claro que "errado" é um termo relativo, significando algo avaliado em relação ao que é "certo" - seja o que for! Seria mais correto em sua linguagem dizer que com muita frequência "os relacionamentos fracassam - mudam - quando são formados por motivos que não favorecem a sua sobrevivência".)
A maioria das pessoas forma relacionamentos de olho no que pode tirar deles, em vez de no que pode colocar neles.
O objetivo de um relacionamento é decidir que parte de si mesmo você gostaria de "revelar", não que parte da outra pessoa pode possuir e dominar.
Só pode haver um objetivo para os relacionamentos - e para toda a vida: ser e decidir Quem Você Realmente É.
É muito romântico dizer que você não era "nada" até aquela pessoa especial aparecer, mas isso não é verdade. O pior é que coloca essa pessoa sob uma terrível pressão para ser todos os tipos de coisas que não é.
Sem querer "desapontá-lo", ela tenta ser o que não é até não poder mais. Então deixa de corresponder à imagem que você tem dela. Não pode mais representar os papéis que lhe foram atribuídos. Surge o ressentimento, e a seguir vem a raiva.
Finalmente, para salvar a si mesma (e o relacionamento), essa pessoa especial começa a tentar reaver o seu verdadeiro Eu, agindo mais de acordo com Quem Realmente É. Nesse momento, você diz que ela "mudou".
É muito romântico afirmar que agora que essa pessoa especial entrou em sua vida você se sente completo. Contudo, o objetivo do relacionamento não é ter alguém que possa completá-lo, mas ter alguém com quem você possa partilhar a sua integralidade.
Esse é o paradoxo de todos os relacionamentos humanos. Você não precisa de alguém em particular para experimentar plenamente Quem Você É, e... sem outra pessoa não é nada.
Isso é o mistério, a maravilha, a frustração e a alegria da experiência humana. Exige uma compreensão profunda e uma disposição total de viver dentro desse paradoxo de um modo que faz sentido. Eu observo que muito poucas pessoas fazem isso.
A maioria de vocês forma seus relacionamentos adultos cheios de energia sexual, de coração aberto e uma alma alegre, senão ansiosa.
Entre os 40 e 60 anos (e para a maioria é mais cedo do que tarde) vocês desistem de seu maior sonho, perdem a sua maior esperança e passam a ter a sua pior expectativa - ou a não esperar coisa alguma.
O problema é simples, e ainda assim muito mal compreendido: seu maior sonho, sua ideia mais nobre e sua maior esperança tiveram mais a ver com a pessoa amada do que com o seu amado Eu. O teste dos seus relacionamentos teve a ver com o quanto a outra pessoa vivia bem de acordo com as suas ideias, e o quanto você vivia bem de acordo com as ideias dela. Mas o único teste verdadeiro tem a ver com o quanto você vive bem de acordo com as suas ideias.
Os relacionamentos são sagrados porque fornecem a maior oportunidade da vida - de fato, a única - de criar e produzir a experiência de sua conceitualização mais elevada do Eu. Os relacionamentos fracassam quando você os vê como a maior oportunidade da vida de criar e produzir a experiência de sua conceitualização mais elevada da outra pessoa.
Deixe cada pessoa no relacionamento se preocupar com o seu Eu - com o que está sendo, fazendo, tendo, desejando, pedindo, dando, procurando, criando e experimentando, e todos os relacionamentos servirão muito bem ao seu objetivo - e aos seus participantes!
Deixe cada pessoa no relacionamento se preocupar não com a outra, mas apenas consigo mesma.
Esse parece ser um ensinamento estranho, porque foi-lhe dito que na forma mais sublime de relacionamento, uma pessoa se preocupa apenas com a outra. Mas Eu lhe digo que seu enfoque na outra pessoa, sua obsessão por ela, é o que faz o relacionamento fracassar.
O que a outra pessoa está sendo? O que está fazendo? O que está tendo? O que está dizendo? Querendo? Exigindo? O que está pensando? Esperando? Planejando?
O Mestre compreende que não importa o que a outra pessoa está sendo, fazendo, tendo, dizendo, querendo, exigindo, pensando, esperando e planejando. Só importa o que você está sendo em relação a isso.
A pessoa mais amorosa é aquela que é egocêntrica.

Esse é um ensinamento radical...

Não se você o observar cuidadosamente. Se você não puder amar a si mesmo, não poderá amar alguém. Muitas pessoas cometem o erro de tentar amar a si mesmas através do amor por alguém. É claro que elas não percebem que estão fazendo isso. Esse não é um esforço consciente. É o que acontece na mente. Nos recônditos da mente. No que você chama de subconsciente. Elas pensam: "Se eu puder apenas amar outras pessoas, elas me amarão. Então serei digno de amor, e poderei amar a mim mesmo.”
Ocorre o oposto com muitas pessoas que se odeiam porque acham que ninguém as ama. Isso é uma doença - é quando as pessoas estão realmente "doentes de amor", porque a verdade é que elas de fato são amadas. Mas isso não importa. Não importa quantos digam que as amam, isso não basta.
Em primeiro lugar, elas não acreditam em você. Acham que está tentando manipulá-las com algum objetivo. (Como você poderia amá-las pelo que realmente são? Não. Algo deve estar errado. Você deve estar querendo alguma coisa! O que quer?)
Elas tentam descobrir como alguém poderia de fato amá-las. Então não acreditam em você, e tentam fazê-lo provar o seu amor. Você tem de provar que as ama. Como prova de que as ama, elas podem pedir-lhe para começar a mudar o seu comportamento.
Em segundo, se elas finalmente chegarem a um ponto em que conseguem acreditar que você as ama, começarão imediatamente a se perguntar por quanto tempo poderão conservar o seu amor. Então, para conservá-lo, começam a mudar o seu comportamento.
Por isso, duas pessoas literalmente se perdem em um relacionamento. Elas o formam esperando se encontrar, e em vez disso se perdem.
Essa perda do Eu em um relacionamento é a principal causa da amargura em uniões desse tipo.
Duas pessoas se unem em uma parceria esperando que o todo seja mais do que a soma das partes, apenas para descobrir que é menos. Elas se sentem menos do que quando eram solteiras. Menos capazes, menos excitantes, menos atraentes, menos alegres e menos satisfeitas.
Isso é porque elas são menos. Deixaram de ser quase tudo que são para estar - e permanecer - no relacionamento.
O objetivo dos relacionamentos nunca foi esse. Contudo, é assim que eles são experimentados por mais pessoas do que você poderia imaginar.

Por quê? Por quê?

Porque as pessoas se esqueceram do objetivo dos relacionamentos (se é que algum dia souberam qual era).
Quando uma pessoa deixa de ver a outra como uma alma sagrada em uma jornada sagrada, não pode ver o objetivo, o motivo por trás de todos os relacionamentos.
A alma foi para o corpo, e este ganhou vida, com o objetivo de evolução. Você está evoluindo, tornando-se alguma coisa. E está usando o seu relacionamento com tudo para decidir o que está se tornando.
Foi para realizar esse trabalho que você veio ao mundo. Esta é a alegria de criar e conhecer o Eu, tornar-se conscientemente o que deseja ser. É o que significa ter consciência de si mesmo.
Você levou o seu Eu para o mundo relativo a fim de ter os meios para experimentar Quem Realmente É. Quem Você É é quem você se torna em relação a todo o restante do mundo.
Seus relacionamentos pessoais são os elementos mais importantes nesse processo. Portanto, são sagrados. Não têm praticamente nada a ver com as outras pessoas, porém, como envolvem terceiros, eles têm tudo a ver com elas.
Essa é a dicotomia divina. Esse é o círculo fechado. Portanto, não é um ensinamento tão radical dizer: "Benditos sejam os egocêntricos, porque eles conhecerão a Deus." Poderia não ser um objetivo tão ruim em sua vida conhecer a parte mais elevada do seu Eu, e permanecer centrado nela.
Por isso, o seu primeiro relacionamento deve ser com o seu Eu. Antes de tudo, deve aprender a honrar e amar a si mesmo.
Você deve reconhecer a sua dignidade e santidade antes de reconhecer a dignidade e santidade das outras pessoas.
Se colocar o carro diante dos bois - como a maioria das religiões lhe pede que faça - e reconhecer a santidade de outra pessoa antes da sua, um dia se ressentirá disso. Se há uma coisa que nenhum de vocês pode tolerar é ser superado em santidade. Contudo, suas religiões os forçam a considerar outras pessoas mais santas do que vocês. E então fazem isso, durante algum tempo. Depois as crucificam.
Vocês crucificaram (de um modo ou outro) todos os Meus mestres, não apenas Um. E o fizeram não porque eles eram mais santos do que vocês, mas porque imaginaram que eram.
Todos os meus mestres transmitiram a mesma mensagem. Não "Eu sou mais santo do que vocês", mas "Vocês são tão santos quanto eu".
Essa foi a mensagem que vocês não conseguiram ouvir; a verdade que não conseguiram aceitar. E é por isso que nunca conseguem amar verdadeira e puramente uns aos outros. Nunca amaram verdadeiramente e puramente a si mesmos.
E então Eu lhe digo isto: centre-se agora e sempre em seu Eu. Veja o que está sendo, fazendo e tendo em todos os momentos, não o que está acontecendo com as outras pessoas.
Não é na ação das outras pessoas, mas em sua "re-ação", que você encontrará a sua salvação.
 
Neale Donald Walsch

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